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quarta-feira, 29 de junho de 2011

.:: Valores x Dignidade ::.


O que define você?

O que futuramente queres deixar como legado sobre sua existência?

O que podes definir como valores?

Estava eu na faculdade quando fui surpreendido por um texto de Frei Betto (Tirado do livro “Diálogos Criativos”), no texto havia vários trechos que me fizeram experimentar a saborosa experiência de pensar e refletir sobre assuntos escondidos nas entrelinhas.

Uma parte do texto, Frei Betto era questionado sobre a greve de fome que ele havia feito em prol de sua dignidade, uma vez preso. Seus amigos temiam sua morte, e diziam a ele: “Betto, você tem que preservar o bem maior, que é a sua vida”. E ele respondeu maravilhosamente: “Não é verdade. Segundo os meus valores, o meu bem maior é a minha dignidade.”

Reparem que o mundo esta se acostumando com a falta de dignidade que nos é cotidianamente oferecida; roubando de nós a nossa identidade! Diluindo o que realmente é necessário para vivermos bem.

E você? Como anda a sua dignidade? Como você vê e trata esse assunto no universo em que vives? Tem contribuído de tal forma que deixes algo, um legado para traz? Hoje as pessoas querem aproveitar o Máximo que podem, e se esquecem do essencial.

Ele também dirá mais adiante: “(...) No período medieval, quando uma cidade queria adquirir status, era edificada uma catedral. (...)Hoje, quando uma cidade brasileira quer adquirir status, ela constrói uma catedral chamada shopping center (...).” Chega ser cômico essa realidade, não?! Veja como as coisas andam destorcidas. Estão atribuindo valores em coisas passageiras, em “vaidade das vaidades”, como já escrito por um autor bíblico, valorizando e até quem sabe endeusando mitos e modas. Tirando os valores primários...

Reparem como anda seu dialogo familiar? Passa-se mais tempo em frente à TV e em compras em shoppings do que discutindo as relações, do que conhecendo quem está do nosso lado. Você pode dizer que conhece quem esta do seu lado? Você pode dizer realmente que essa troca de valores lhe faz feliz?

“(...) Sócrates foi um filosofo grego que andava pelas ruas de Atenas, onde havia lojas de comércio, e também vendedores chegavam à porta e perguntavam se ele desejava alguma coisa. Ele respondia ‘Não, estou apenas observando quanta coisa existe de que eu não preciso para ser feliz’.

(...)Quando Francisco se pôs nu na praça de Assis, ele profeticamente estava dizendo: ‘Não posso aceitar essa roupa que meu pai fabrica, mas que gera pobreza para outros’. Por isso ele vai viver com os pobres. E Francisco não podia aceitar também que um produto viesse a ser a fonte de valor humano.”

É a nossa realidade caros leitores: Estamos vivendo num mundo de paradoxos.

E hoje os pobres existem, pois os valores estão voltados ao consumismo. Consumismo desnecessário.

Estamos nos coisificando como já previu Carlos Drummond de Andrade em seu poema “eu etiqueta”.

Mas como já disse meu professor de Humanidades: “O ser Humano vai além da materialidade”. E eu complemento com uma frase, do livro “Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry: “O essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração”.

Todos nós queremos e podemos ser felizes. É a maneira que buscamos isso que vai caracterizar meus valores, que vai dizer se estes estão ou não tendo dignidade.

Não uma dignidade qualquer, mas aquela que realmente me é necessária como gente.

E Você o que pensa sobre este assunto?

O meu intuito é provocar você a pensar... E como já dito outrora: “E qual o problema de quem não pensa?” A resposta é fácil: “Ser pensado por outros”.

Termino esta reflexão com a frase final do texto de Frei Betto:

(...) ”O que o poder busca hoje? A felicidade geral do planeta ou o incremento da acumulação de riquezas? A meu ver, dito assim sumariamente, são valores incompatíveis”. E você o que tens a dizer?

(Texto criado em 20.03.2008 – Postado no antigo Radar Cultura – By Linho)

Abraço a todos...



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